
* Gráfico com a soma entre ações, poupança e renda fixa.
1983 – Com 1 (um) mês de vida meu pai criou uma caderneta de poupança pra mim já com uma pequena quantia. Desde pequeno criei o hábito de economizar, um exemplo, aos 10 anos eu tinha atrás da porta do quarto uma caixa de sapato com um furo, onde eu sempre colocava minhas economias ou trocados, sempre que a caixa enchia, eu recolhia e dava para meu pai depositar no banco.
2001 - Aos 18 anos eu tinha aproximadamente 12 mil na poupança, onde retirei R$ 5 mil para fazer cursos de informática. Logo depois comprei meu primeiro carro e o costume e planejamento financeiro sempre esteve presente, mas nem sempre no inicio de uma profissão é fácil economizar.
2004 - Comecei aplicar em ações com R$ 1.000 em Fundos de Ações da Caixa, onde aos poucos fui diversificando entre Vale do Rio Doce e Petrobrás, em 2006 comecei a comprar ações diretamente pela corretora do Banco do Brasil. Claro que dinheiro não cai do céu, toda verba direcionada para as ações veio do trabalho, por sinal muito trabalho, muitos extras, muitos finais de semana.
2007 – Aqui eu estava bem confiante e empolgado com o mercado, onde comecei a ler, pesquisar e partir para um nível mais avançado de trader mesmo. Fazendo Day Trade (compra e venda no mesmo dia) e Swing Trade (compra e venda um curto periodo) com grandes quantias. Optei por migrar minhas aplicações para uma corretora com uma plataforma de operações mais profissional e completa. Tudo dava muito certo, até porque, quando o mercado está em alta é bem mais fácil ter lucro.
Setembro/2008 – Aqui estava no auge da rentabilidade e muito empolgado, começo de ano fantástico! No mesmo mês, após uma operação onde tive prejuízo de 5 mil, acabei partindo para outros modelos de aplicação, entrando na conversa dos “homens de terno” das corretoras. A operação foi as chamadas “compras a termo”. A corretora me “liberou” um crédito de 500 mil reais para comprar a termo (empréstimos) de ações. Acabei aceitando “somente” 50 mil de empréstimo, para tentar recuperar rápido o prejuízo de 5 mil de janeiro. Não vou entrar nos detalhes de como funciona a compra a termo, apenas explicar o resultado. Claro que me considero muito azarado também, justo na minha primeira compra a termo “pesada” estourou uma crise (Subprime), onde poucos imaginaram a sua real dimensão, bolsas do mundo inteiro despencando! Optei por sair do mercado tarde de mais, mas poderia ter sido pior. Sai no inicio de setembro, se tivesse ficado até o final, teria zerado minhas aplicações. Em resumo, sai dessa história em setembro com apenas 30 mil reais. Fiquei semanas sem acreditar, que cometi um erro tão grande assim, com 25 anos, tinha muitos planos pessoais e profissionais para o final de 2008, a cada dia de queda nas bolsas, um pouco dos sonhos se perdia. Imagina aquelas economias de anos, perdidas em praticamente 2 meses. Duro de aceitar, pior ainda recomeçar. Após algumas semanas de sonos perdidos, arrependimento e muita reflexão, percebi que no fundo só tinha uma saída. Começar novamente, da maneira que deu certo. E que maneira seria? A de trabalhar muito, economizar, aplicar com mais consciência e sem empolgações. Não poderia deixar de comentar que a motivação para recomeçar estava na minha própria casa, meus pais. Pensei o seguinte: Meus pais saíram do interior para Porto Alegre com praticamente nada de dinheiro e conseguiram criar dois filhos, e hoje estão bem. Eu estou com praticamente a mesma idade de quando eles chegaram em Porto Alegre, com mais recursos, não tenho o porque ficar reclamando, tenho que levantar a cabeça e recomeçar. Criei o hábito de economizar graças a eles, perdi muito por erro próprio e claro, com muita ajuda de uns amadores de terno, “mauricinhos” que ganhavam dinheiro do papai para brincar de investimento. Paguei muito caro para aprender algumas coisas, mas tudo tem seu lado bom, atualmente me sinto muito mais maduro e com vivencia pratica no mercado de investimento em ações, digamos que consegui na prática juntar uma boa quantia, e ao mesmo tempo perde-lá. Agora conheço os dois caminhos.
Janeiro/2009 – Alguns meses após o grande prejuízo, já consegui de alguma maneira recuperar um pouco. Dois meses depois tive que utilizar parte para comprar um terreno. No mesmo ano tive muitas despesas com a festa de casamento, no qual complicou a recuperação de 2008, onde não consegui aproveitar da melhor maneira a alta da Bovespa, pois não podia deixar muito dinheiro em renda variável naquele momento.
Janeiro/2010 – Após um ano bem agitado como foi o de 2009, ainda consegui acumular uma quantia razoável, comparando com o que já tinha alcançado no inicio de 2008. Tive que utilizar praticamente todo o dinheiro aplicado para o inicio da construção da casa própria. É complicado ver o saldo das aplicações lá em baixo, após anos de economia. Mas tem uma boa causa, apesar de tudo, construir também está sendo um grande investimento. Agora estou curioso para ver o saldo em janeiro de 2011! Com certeza, sem grandes expectativas, construção vai um caminhão de dinheiro! ;)
Cada vez que olho os extratos antigos, bate muito arrependimento, é muito difícil lembrar os prejuízos, mas com o tempo está passando, principalmente quando se vai recuperando o prejuízo aos poucos. Mas vamos lá, a vida segue e está cheia de oportunidades!

